Albergue

 

lembro-me de uma voz

como se fosse a vida

em desalinho

 

lembro

de uma cintilante aventura

onde nós dois

nadávamos sobre o amanhã que nunca se declarou

 

lembro tão bem

de músicas e relíquias juvenis

assim

a beira

da noite e seus passantes

 

lembro

como se fosse ontem

de uma multidão que acenava

para a lua

nua e linda

 

lembro

toda vez que lá passo

de um perfume de vida e jardim

que já sem corpo

corre e desaparece

 

lembro

de tréguas e patins

como desfilando

pela chuva

insólita e desperta

 

lembro

já sem pisar no chão

de anotações que enviei por pensamento

de avisos de placas e microfones trêmulos

 

lembro

tão sem culpa

do clarim que alguém disparou

como um selvagem e mítico adereço

 

lembro

de um dístico

que espalhou pela cidade seu suor

tudo tão assim museu e vivo

 

lembro

escondido por entre árvores

de um dia

onde tudo apareceu

como porta de um céu que se foi.

 

Cgurgel

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~ por cgurgel em outubro 21, 2010.

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